sexta-feira, 3 de junho de 2016

Evangelho de Marcos, capítulo 8, versículo 38

"Porquanto, qualquer que, nesta geração adúltera e pecaminosa, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também dele se envergonhará o Filho do homem quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos". (Marcos 8:38, versão da tradução AR/TR)

Este versículo fecha o capítulo 38 do evangelho de Jesus Cristo, escrito por Marcos. No início do capítulo, Jesus tem compaixão da multidão faminta e multiplica pães e peixinhos. De fato, foi um grande milagre que é confirmado pela narrativa do evento e pelo diálogo entre Jesus e seus discípulos logo depois. A multidão viu um grande sinal feito por Jesus, mas nem todos creram. Os judeus fariseus começam a discutir com Jesus, pedindo provas de que Ele era alguém que poderia falar em nome de Deus, seja um profeta ou o próprio Messias, o Cristo. Jesus lamenta pela geração incrédula e afirma que a eles não seria mostrado nenhum sinal.

Jesus percebe também a incredulidade entre seus discípulos. Mesmo eles que estiveram ao seu lado e sabiam do milagre, parece que ainda não acreditavam, pois estavam discutindo entre eles pois sentiam fome novamente, mas não tinham levado nenhum pão com eles. Jesus os alerta para tomarem cuidado com o "fermento" dos fariseus e os lembra do milagre ocorrido.

Ao entrar em Betsaida, Jesus é procurado para curar um cego. E realiza novamente um grande sinal, curando este homem. É um momento lindo e interessante, pois Jesus não o cura instantaneamente, mas como um médico, pergunta o que ele vê. Esta pergunta de Jesus é muito comum no Antigo Testamento quando Deus pergunta ao profeta o que ele vê (cf. Zc 5:2; Jr 1:11,13), pois Deus mostra uma cena que tem significado profundo. No caso do cego, ele primeiramente vê os "homens como árvores, andando". Esta resposta é fascinante, pois o ser humano é como uma árvore que pode produzir frutos, tanto bons quanto maus (cf. Mt 12:33; Lc 6:43).

Jesus por fim, pergunta aos discípulos, quem Ele é, segundo o povo. Esta pergunta é muito profunda e interessante ainda hoje, pois cada pessoa costuma ver Jesus de uma forma diferente: como um bom homem, um exemplo, modelo, líder, profeta etc... Mas poucos reconhecem como o apóstolo Pedro que Jesus é o Filho de Deus, o Cristo (cf. Mt 16:16; Jo 6:69). De fato, somente Deus é quem pode abrir os olhos para uma pessoa conseguir acreditar e ver a verdadeira identidade de Jesus.
Por fim, a narrativa do final do capítulo 38, mostra Jesus ensinando os discípulos que Ele é o Cristo e que Ele iria sofrer, ser rejeitado pelas principais autoridades religiosas da época (anciãos, escribas e sacerdotes), seria morto, mas ressuscitaria ao terceiro dia. Neste momento, podemos imaginar os discípulos sem entender como Jesus poderia sofrer e ser rejeitado, sendo que Ele de fato fazia tantos sinais e fazia somente o bem. Pedro chama Jesus à parte e tenta desfazer este pensamento de Jesus. Mas Cristo o repreende Pedro abertamente, para afirmar que é necessário Ele passar pela cruz, e que cada pessoa que deseja seguí-Lo também deve tomar sua cruz e seguí-Lo.

Muitas vezes, eu me pergunto, o que realmente levou Jesus a ser rejeitado pelos principais líderes religiosos, e até foi abandonado por seus discípulos e apóstolos no momento mais crítico quando Ele era levado à cruz. O próprio Pedro o negou três vezes... Foram um conjunto de motivos, que precisamos enxergar e aprender:
  1. Em primeiro lugar, deveria ser assim para cumprimento das Escrituras. Jesus mesmo ensinava que Ele iria padecer pela mão dos pecadores, conforme os profetas. O próprio Isaías chamava Jesus de "o servo sofredor", aproximadamente 700 anos antes de Cristo. Jesus é o Cordeiro de Deus que seria sacrificado pelos nossos pecados e pelos pecados do mundo inteiro para que possamos receber o perdão de Deus. O cordeiro foi morto em nosso lugar, e o seu sangue grita no altar, intercedendo por nós, para que Deus nos perdoe e não veja mais nossos pecados.
  2.  Os homens (religiosos ou não) buscavam apenas poder e prestígio, isto é, a "glória que vem dos homens",  e rejeitavam a glória que vem de Deus (cf. João 12:42,43; Mt 27:18; Mc 15:10). 
  3. Eles tinham inveja dos milagres e das boas obras que Jesus realizava, mas não criam, e não se arrependiam de seus pecados, vindo a cometer pecado ainda maior, matando o "rei da glória", o "Autor da vida" (Atos 3:15). Muitos daqueles homens, morreram, então, nos pecados deles, por não crerem (cf. João 8:24).
Desta forma, devemos nos precaver e orar por misericórdia por nós e pelas pessoas que hoje caem nos mesmos pecados. Quem vive da mesma maneira que aquela geração adúltera e pecaminosa precisa de arrependimento e de salvação. Deus é capaz de perdoar todos os pecados, exceto o pecado contra o Seu Santo Espírito (cf. Mt 12:31), que é o pecado de rejeitar o perdão dos pecados que é dado a todo aquele que se arrepende e crê, além de blasfemar este caminho.

Jesus também nos alerta, que se trataram mal o Senhor, tratarão mal também seus servos, conforme João 15:20 que diz: "Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, guardarão também a vossa". Desta forma, ainda que uma geração adúltera e pecaminosa não aceite as palavras de Cristo, não podemos nos envergonhar destas palavras, pois delas fluem a vida eterna por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo, que vive, reina e voltará para buscar os seus fiéis para todo o sempre. Lembremos das últimas palavras de Jesus, neste capítulo. A melhor forma de prosseguir e se entregar cada vez mais a Cristo, amando-O, e seguindo-O. Não há outro caminho. Nem há outro nome pelo qual a humanidade possam vir a ser salva (cf Atos 4:12).

Que o Senhor Jesus nos livre de nos envergonhar dEle e de Sua Palavra. Amém.

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